Sindicalistas, representantes de movimentos populares e vereadores defenderam as estatais mineiras, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (1710), durante a audiência pública convocada pelo Sindieletro e Sindágua contra a privatização da Copasa e da Cemig.
Trabalhadores e miltantes se reuniram para cobrar do governo Zema o fim das tentativas de venda das estatais e a manutenção do direito da população de decidir sobre o destino das empresas públicas.
A audiência integra uma série de mobilizações em todo o estado. A próxima será na quarta-feira (22/10), às 11h, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Defesa da empresa pública
O presidente do Sindágua-MG, Eduardo Pereira, afirmou que a greve dos trabalhadores da Copasa, marcada para os dias 21 a 23 de outubro, é uma resposta à PEC 24/2023, que retira da Constituição mineira o direito de referendo popular sobre a venda das estatais.
Eduardo ainda enfatizou que a Copasa é uma das empresas mais eficientes do país e que já se comprometeu a universalizar o saneamento até 2029, quatro anos antes do prazo legal.
“Mesmo assim, o governo Zema insiste em um discurso distorcido, dizendo que é preciso privatizar para garantir os investimentos. Isso é mentira. A Copasa pública está ampliando o saneamento e cumprindo suas metas antes do prazo.”
O coordenador-geral do Sindieletro-MG, Emerson Andrada, criticou o modelo de privatização da energia e do saneamento.
“Empresas privatizadas já deixaram a população da periferia por mais de 15 dias sem luz, jogaram esgoto no Rio Tietê e pioraram o atendimento. As tarifas aumentam, mas o serviço piora, porque empresa privada não faz saneamento básico onde não há lucro”, criticou.
O secretário-geral do Sindieletro, Jefferson da Silva, lembrou que o aumento das tarifas de energia está diretamente ligado à privatização.
“No Espírito Santo, a primeira empresa privatizada registrou aumento acumulado de 751% entre 1995 e 2015, o dobro da inflação do período. É isso que acontece quando o lucro vem antes do povo.”
Os sindicalistas defendem que qualquer mudança deve passar por consulta popular, como prevê a Constituição estadual. “Decisões que afetam os serviços públicos precisam ser coletivas e democráticas”, protestaram.
Vereadores denunciam retrocessos
O vereador Bruno Pedralva (PT), autor do requerimento da audiência, afirmou que a população de Belo Horizonte já compreende o que a privatização representa.
“Olhem o que aconteceu com o metrô de BH. É um drama: o povo esperando 30 minutos em horário de pico pra embarcar. Privatização é sinônimo de aumento de tarifa e precarização dos serviços.”
A vereadora Luiza Dulci (PT) também se manifestou, lembrando que seu projeto que reconhece a água como direito fundamental foi retirado de pauta na Câmara depois da tensão gerada pelo Tarifa Zero.
“É importante denunciar. Foi muito ruim ver nossos projetos sendo suspensos, mas seguimos na expectativa de que possam voltar à pauta.”
Movimentos sociais e população reforçam o coro
A militante do Movimento por Direitos (MPD), Valéria Borges, denunciou a precarização dos serviços pelo governo Zema no abastecimento nas favelas.
“Não é falta total de água, mas água irregular e esgoto que transborda. Dizem que moradores de favela não pagam, mas isso é injusto e ignora a realidade da comunidade.”
Já Julia Sanders, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), alertou para o avanço da mineração em áreas de recarga hídrica. “A expansão das mineradoras nas regiões rurais de BH traz impactos ambientais e sociais sérios. É preciso proteger as nascentes com o uso sustentável da terra”, afirmou.
Ao final, os sindicatos reafirmaram que continuarão mobilizados em defesa das empresas públicas e convocam a população para os próximos atos e para a greve da Copasa, na semana que vem.
Fonte: Assessoria de Imprensa do Sindieletro











